os domingos à tarde têm esta espécie de sobriedade espessa que se entranha no respirar. como se o nosso olhar se pudesse prolongar pela ausência de tempo, ou simplemente a terra girasse mais devagar. são lentos, os domingos à tarde. lentos e enevoados, como se os nossos olhos repousassem serenos no absurdo e pudessem escolher silenciosamente a dimensão do sol. como se.

domingo1.jpg

Eu nem sei o que procuro. O que sei é que procuro.

Eu, normalmente, não gosto de certezas.

Não posso.

Tanto que um dia destes fui ao oftalmologista e disse-lhe:

Olhe, sou pintor e preciso de ver bem.

Mas não me ponha a ver bem demais.

(…)

Eu gosto muito das coisas que não se vêem todas,

que não são totalmente perceptíveis.

Júlio Resende, entrevista à Pública, 10.02.08

pois. eu também.

2 Comments

  1. [tu tens aquele rasgo de luminosidade no olhar que não engana ninguém: só sabes ser livre e solta e apaixonada.] Tocou. A descrição ideal. Tinha saudades de ser livre. Obrigada :)

  2. e o imperceptível enche sempre mais os olhos do que o que se vê realmente…

    às vezes para ver as coisas é preciso fechar os olhos…
    por exemplo este domingo correu pachorento…numa viagem por um parque novo que não conhecia…mas a essência do que vi, só quando fechei os olhos é que percebi… :P

    eu também…


Post a Comment

*
*