(…)
- então, mas… porque é que estás tão interessada no crédito habitação?!
- porque me apetece comprar um cavalo!
- como?!
[eu suspiro.]
- ouve, porque é que as pessoas fazem perguntas sobre o crédito habitação? normalmente é porque vão comprar uma casa, não é?
[ele faz cara de espanto.]
- mas tu vais comprar uma casa?!
[eu suspiro novamente.]
- estou a pensar nisso…
[ele faz cara de espanto novamente.]
- então mas… vais comprar uma casa assim? sozinha?
- é… é que eu sei escrever desde os 6 anos, por isso não preciso que ninguém me vá ajudar a assinar a escritura… vê lá tu que até me deixam conduzir e votar e essas coisas todas de gente crescida!
- não é isso… é que… comprar uma casa… é pá, isso é uma coisa que normalmente se faz a dois.
- ah! mas eu não vou sozinha para a casa nova, somos dois!
[ele faz uma cara aliviada.]
- ah, bom… e quem é o felizardo, pode-se saber?
- pode-se com certeza! é o trotsky, o meu mais novo!
[ele faz uma cara confusa.]
- então mas… tu já tens filhos?
- ainda não. mas quando tiver, de certeza que lhes vou dar nomes de comunistas russos que foram assassinados à machadada.
[ele faz uma cara aborrecida.]
- então o trotsky é o teu mais novo quê?
[eu faço uma cara triunfal.]
- gato!
[ele faz uma cara de pena.]
- mas não é de animais de estimação que eu estou a falar. normalmente uma casa compra-se com alguém… sei lá… especial…
[eu faço uma cara esclarecida.]
- ah, mas o trotsky é especial! é incontinente! quantos gatos conheces que sofram de incontinência, conta lá?!… é que é mesmo especial! além do mais, tem a cauda partida mesmo na pontinha. parece um gancho. e depois…
[ele faz uma cara aborrecida e interrompe-me.]
- não é isso. quando eu digo alguém especial, quero dizer um companheiro.
[eu faço uma cara altamente esclarecida e um pouco triste.]
- ah… aí o trotsky falha, de facto. não me faz muita companhia. é que ele só gosta de ver programas do National Geographic na tv, e eu prefiro o House…
[ele faz uma cara fortemente aborrecida e interrompe-me.]
- olha, deixa lá. esquece que eu falei no assunto, ok?
- já esqueci.
- então, mas… porque é que estás tão interessada no crédito habitação?!
- porque me apetece comprar um cavalo!
- como?!
[eu suspiro.]
- ouve, porque é que as pessoas fazem perguntas sobre o crédito habitação? normalmente é porque vão comprar uma casa, não é?
[ele faz cara de espanto.]
- mas tu vais comprar uma casa?!
[eu suspiro novamente.]
- estou a pensar nisso…
[ele faz cara de espanto novamente.]
- então mas… vais comprar uma casa assim? sozinha?
- é… é que eu sei escrever desde os 6 anos, por isso não preciso que ninguém me vá ajudar a assinar a escritura… vê lá tu que até me deixam conduzir e votar e essas coisas todas de gente crescida!
- não é isso… é que… comprar uma casa… é pá, isso é uma coisa que normalmente se faz a dois.
- ah! mas eu não vou sozinha para a casa nova, somos dois!
[ele faz uma cara aliviada.]
- ah, bom… e quem é o felizardo, pode-se saber?
- pode-se com certeza! é o trotsky, o meu mais novo!
[ele faz uma cara confusa.]
- então mas… tu já tens filhos?
- ainda não. mas quando tiver, de certeza que lhes vou dar nomes de comunistas russos que foram assassinados à machadada.
[ele faz uma cara aborrecida.]
- então o trotsky é o teu mais novo quê?
[eu faço uma cara triunfal.]
- gato!
[ele faz uma cara de pena.]
- mas não é de animais de estimação que eu estou a falar. normalmente uma casa compra-se com alguém… sei lá… especial…
[eu faço uma cara esclarecida.]
- ah, mas o trotsky é especial! é incontinente! quantos gatos conheces que sofram de incontinência, conta lá?!… é que é mesmo especial! além do mais, tem a cauda partida mesmo na pontinha. parece um gancho. e depois…
[ele faz uma cara aborrecida e interrompe-me.]
- não é isso. quando eu digo alguém especial, quero dizer um companheiro.
[eu faço uma cara altamente esclarecida e um pouco triste.]
- ah… aí o trotsky falha, de facto. não me faz muita companhia. é que ele só gosta de ver programas do National Geographic na tv, e eu prefiro o House…
[ele faz uma cara fortemente aborrecida e interrompe-me.]
- olha, deixa lá. esquece que eu falei no assunto, ok?
- já esqueci.
[é nestas alturas que eu realmente detesto não saber assobiar. é que uma saída de mãos nos bolsos, olhar perdido no nordeste e a assobiar o dartacão tinha sido simplesmente divinal. di-vi-nal.]


6 Comments
3 coisas e uma não coisa:
Habitação, credito, vê bem, ouve melhor,
Casa sozinha, boa, ás vezes dois são uma multidão de desconhecidos,
House, melhor, afinal a gente com caracter, nem que seja na ficção.
Três frases que podem ser transcritas como “lar”.
Finalmente, gato com sorte, afinal, “ normalmente uma casa compra-se com alguém… sei lá… especial…”
Casa compra-se com alguém especial. Para morar com esse alguém. Especial, portanto.
Carro compra-se quando… sei lá, se quer sair com alguém especial, talvez.
A roupa compra-se para impressionar alguém especial. Já agora.
Claro que esse alguém especial até pode ser nós mesmos (ai credo, que coisa tão socialmente não-aceitável). Ou um gato, porque não? Gato de sorte, sem dúvida.
mas…mas…o que fizeste ao coitadinho do bichinho para ser incontinente ?
ele, de facto, é mesmo um felizardo, mas incontinente ?
Mas é que tinha mesmo sido divinal! Também podias assobiar os “três gatinhos”, não tinha ficado mal!
O Trostsky era incontinente? Terá sido por isso k o machado lhe ceifou a verve comunista? E o k tem isto a ver com o crédito à habitação? Comungo da ideia generalizada: ele há gatos de sorte. Ó lá se há!
ia jurar que já tinha comentado este texto. pelo menos pensei nisso. as tuas respostas foram geniais