e tem cheiro de maresia incorporado.
ena-ena!
[novos boletins informativos sobre o decorrer do processo assim que se justificarem.]
e tem cheiro de maresia incorporado.
ena-ena!
[novos boletins informativos sobre o decorrer do processo assim que se justificarem.]
venderam-no! tal e qual: VEN-DE-RAM-NO!

quando encontra o meu[a gente concorda em mais coisas do que aquelas que as cartas da (abelha) Maya poderiam supor... não fosse eu ser tão intransigentemente-campionamente portista, e eles serem tao indiscutivelmente-ferrenhosamente anti, e eu seria a 5ª gata fedorenta.]
[ou não.]
da Pública de nove de setembro de dois mil e sete, Depois que o verão termina, por José Eduardo Agualusa:
“Foi neste verão. Foi há muito tempo. Na tarde lenta uma buganvília derramava sobre um muro em ruínas uma cascata de flores incandescentes. Ela estava sentada num banco de madeira, junto ao muro, e lia. Ele aproximou-se e confirmou que o título dificilmente poderia ser mais adequado ao momento: “Está tudo iluminado”, de Jonathan Safran Foer. Ela ria-se sozinha enquanto lia. Ele também se lembrava de ter rido muito ao ler o livro. Sentou-se ao lado dela. “Em inglês, no original, é melhor!”, disse-lhe. Ela olhou-o aborrecida: “É claro! Só os autores muito maus beneficiam com as traduções”.
leave me out with the waste
Gostava de ler. Gostava (como ele) de Leonard Cohen, de goiabas, de caril de camarão. Gostava de tulipas. Detestava rosas. Gostava de inventar palavras. Inventava palavras tão evidentes e tão acertadas que toda a gente supunha que realmente existiam, e inclusive que a humanidade sempre se havia servido delas.
“Só acredito em paixões impossíveis”, dissera-lhe ela antes do primeiro beijo: “Os amores possíveis não têm nada a ver com o amor”.
it’s the wrong kind of place
Com aquela frase estabelecera as regras e os limites. Nunca lhe disse que seria para sempre, ao contrário, insistira: “Não haverá amanhã!”. E cumprira. Acontece que o que perdura, o que nunca conseguiremos esquecer, não é o que temos como certo, o que está ao alcance dos dedos e do vulgar desejo, o que sabemos que durará para sempre, mas o que não será nosso – se acaso algum dia for – senão por um brevíssimo instante. Um fulgor. Por isso ele pensava nela, continuava a pensar nela enquanto o silêncio avançava sobre os móveis com as suas macias patas de espuma. As janelas abertas dariam para a praia, se acaso houvesse ainda praia, e ele não podia acreditar que a praia continuava lá, não queria acreditar que havia praia sem ela, nem que luz alguma existisse longe dela. Sempre tivera a certeza de que era dela que a luz provinha. Além do silêncio, claro. Tinha a certeza que dentro dela havia um orgão qualquer capaz de segregar luz, um complexo mecanismo bioquímico, como o que favorece os pirilampos e as noctilucas. E ao lado desse orgão, ou atrás dele, um outro capaz de gerar o silêncio mais puro, uma espécie de apaziguamento, que depois se derramava em redor, e contaminava tudo. As pessoas juntavam-se para a ouvir calar.
it’s the wrong time
Ocorreu-lhe pela primeira vez que se a tivesse encontrado em pleno inverno não se teria apaixonado por ela. Na verdade, nunca se apaixonara por ninguém em pleno inverno. Tirando os ursos polares e as mulheres muito perseverantes, já ninguém se apaixona em pleno inverno. O inverno é uma estação adversa para a paixão. Talvez porque a paixão exiga uma certa vacuidade, um abandono do espírito, uma suspensão temporária da inteligência, algo que o excesso de luz invariavelmente propícia.
Por último o silêncio não produz o mesmo efeito durante o inverno. No verão, sim, o silêncio dela parecia capaz de devolver certa harmonia à desordem das praias e das esplanadas.
É certo que a última tarde (falavam de desertos) ela lhe sussurrava ao ouvido: “O deserto sou eu se não me vieres buscar”. Mas isto era o verso de um fado, e ele decidira há muito tempo que o fado não lhe interessava. “Gosto de desertos”, respondera. Ou poderia ter respondido. Na verdade não dissera nada. Depois que o verão se extingue começa o que não pode ser dito. Não se trata de uma outra vida: é simplesmente um movimento de inércia, a dor que os mutilados sentem no membro que não existe mais.
it’s a small crime
Portanto abriu a porta e saiu. O mar, ao fundo, mudara de cor. Era agora um animal nocturno, agachado de encontro às rochas, pronto para saltar.
Sentou-se ali, nos fatigados degraus da velha casa, e esperou (apavorado) que a escuridão o alcançasse.”
[houve qualquer coisa n’ele que me fez pensar-te. e aos verões e aos silêncios. percorro com os dedos vazios aquilo que outrora nós fomos. e mais uma vez percebo, mais uma vez me reconheço: sou incapaz de reiventar outra qualquer distância por onde possamos correr. imagino-te sentado nos degraus de uma qualquer casa (apavorado), de olhar cansado pousado por dentro de ti, à espera que um qualquer horizonte te venha banhar os pés. eu percebo: para sempre é demasiado tempo. por isso, ficamos assim: como sempre. a small crime, indeed. but if that’s alright...]
há uns tempos atrás, depois do meu último regresso da suécia, acordei certo dia com o novo jingle da antena 3: a primeira vez é sempre a 3. eu cocei o cocoruto da cabeça, encolhi os ombros, e pensei, entre duas espreguiçadelas e três bocejos bem esticados: “cum estupor, uma pessoa já não pode passar um ano fora que este país evoluí comó carago!”. demorei semanas (sim: semanas!) a perceber que, na realidade, o jingle reza NA 3. a primeira vez é sempre NA 3. pequeno erro, portanto, sem consequências mas ilustrativo do meu habitual despiste causador de inúmeros mal-entendidos. e no entanto…
… nem eu, que sou especialista na área, nem eu, que consigo transformar um jingle engraçado numa proposta indecente, nem eu, meus senhores… nem eu consigo mal-entender o gesto da bestunga-brasileira-que-se-diz-seleccionador-de-Portugal de ontem à noite como ele quer que um país inteiro de totós o mal-entenda: não senhor, eu não dei um murro ao sérvio. que ideia. eu estava apenas a limpar-lhe carinhosamente o pó da cara. que é como quem diz, a sacudir as moscas. que são chatas, lá em alvalade. muito chatas. entretanto, até vi o lance na TV e tive tempo de pedir um cérebro emprestado e reflectir na situação. e o gigi, que é muito meu amiguinho e não me quer fazer mal, muito menos despedir-me ou retirar-me o vergonhoso salário que eu recebo todos os meses sem fazer absolutamente nada, obrigou-me a vir aqui pedir desculpa, portanto já está: desculpa, viu?
diz ele que o pretenso gesto carinhoso (que a mázona da comunicação social, essa vaca, quer fazer passar por um murro) teve a simples e única intenção de defender o Quaresma. eu, que apesar de ter tendência para os mal-entendidos ainda me atrevo a pensar de quando em vez, diria que o Quaresma não precisa de guarda-costas particular: entre a ponta-e-mola, os tios, os irmãos, os pais, os sobrinhos, os avós, os cunhados da sogra, as noras do enteado, os afilhados do genro e os vizinhos do neto do padrinho do vizinho do segundo-esquerdo, o homem está bastante mais protegido do qualquer baliza que dê abrigo ao Ricardo.
recapitulando: estou confusa. não percebo como é que o homem não se demitiu, tenho medo de perceber porque é que ainda não o demitiram. para aqueles que não me conhecem, e que estão aí a esfregar as patinhas e a preparar-se para me atirar a cara os típicos argumentos de encher chouriços que eu tive que aturar todo o santo dia
[a saber:
1. o homem faz uma asneirinha e passa de bestial a besta;
2. o homem ganhou mais com a selecção do que qualquer um dos outros treinadores.]
poupem-se e, principalmente, poupem-me.
1. o mamífero-abigodado não fez uma asneirinha: fez uma grande asneira. e para mim, sempre foi besta, desde o momento em que pôs os pézinhos neste país. nunca gostei dele, nunca lhe reconheci talento e, acima de tudo, nunca o aplaudi pelos supostos feitos à frente da selecção nacional. até porque eu acho que ele não fez nada (ver o próximo ponto);
2. nenhum dos outros teve a selecção que ele teve e as condições que ele gozou. senão vejamos: o apuramento para o euro 2004 foi automático; o segundo lugar no euro 2004, a saber que perdeu o primeiro para uma equipa de baixa qualidade e que cujos truques já tinha obrigação de conhecer e com a equipa que tinha acabado de ganhar a champions ao seu dispor, sabe a derrota; o apuramento para o mundial 2006 foi conseguido num grupo em que até o sobrinho mais gordo do pato donald conseguia o primeiro lugar; o quarto lugar no mundial de 2006, tendo em consideração a equipa disponível e o jogo com a França, sabe a derrota; o apuramento para o euro 2008, que se enquadra num grupo em que até o sobrinho mais gordo do pato donald conseguia o primeiro lugar, está como nós sabemos.
e de resto… convenhamos:
com fernandos meiras e nunas gomes a titulares, com quaresmas a polir o banco com o rabo, com migueis, que já à direita são tosquinhos quanto baste, a defender à esquerda e, least but not last, com ricardos, cujo vocabulário português não chega para descrever a incompetência (deve ser por isso que foi para terra de nuestros hermanos) quando entre dois postes e debaixo de uma barra, não há máquina que carbure. mas isso são outros quinhentos paus.
alguém me dizia hoje que os anti-scolari iam aproveitar este gesto infeliz do homem para o correr da selecção.
e porque não? já que a gritante incapacidade para gerir a selecção portuguesa e os constantes maus resultados (sim, eu disse maus resultados) não chegam, que chegue ao menos a incrível falta de civismo, educação e profissionalismo. sim, eu quero a galinha-histérica fora do comando da selecção o mais rápido possível. sim, eu quero voltar a vestir a camisola da selecção, coisa que não faço há mais de um ano. sim, eu quero que a selecção volte a ser minha. e sim, as bandeirinhas penduradas nas janelas acicatam o meu mau-feitio.
dei por mim a pensar no Zequinha.
o Zequinha, que coitadinho-não-passa-de-uma-criança, teve a atitude de uma criança e roubou o brinquedinho a uma outra criança que por ali andava a passear (que é como quem diz, fanou o vermelho ao árbitro com uma propriedade realmente notável). o Zequinha, que coitadinho-não-passa-de-uma-criança, teve o cuidado de não magoar ninguém: repare-se como ele usa as pontinhas dos dedos, numa demonstração delicada e clara das suas boas intenções. o Zequinha, que coitadinho-não-passa-de-uma-criança, levou uma suspensão de 12 meses. a mim, parece-me justo. mas agora eu pergunto: que castigo terá o canguru-vermelho-e-verde, que de criancinha não tem nada, e até gosta de se armar em paizinho da malta? além de que o Zequinha, que coitadinho-não-passa-de-uma-criança, teve a atenuante de, com o seu gesto, provocar gargalhadas de norte a sul, enquanto que o outro cabrito, apesar de palhaço, esteve longe de despertar o bom humor do país (o meu riso, malévolo e fortemente sarcástico, seguido do comentário feliz agora-é-que-te-fod….., não conta.)
esta história do Zequinha fez-me recuar até aos meus tempos de ensino básico, quando me ensinaram a somar e subtrair fracções: a primeira regra era sempre a mesma – encontrar o denominador comum. está-me aqui a parecer que o denominador comum desta história da treta se chama Madaíl. espero bem que ele, pela primeira vez na sua vida, tenha uma atitude consentânea com as circunstâncias: se o homem me faz passar pela vergonha de não expulsar o borrego-teimoso e obrigar a UEFA a ter que intervir, eu juro que renego a nacionalidade portuguesa e me torno sueca.
[ó diabo... assim de repente, lembrei-me do mundial Coreia-Japão. e lembrei-me do Madaíl a jurar a pés juntos que não senhor, o menino lindo não deu um murro a ninguém. e lembrei-me da imagem do menino lindo com o punho enterrado no estômago do senhor árbitro a percorrer a Europa. förmiddag som I fullständigt knullas upp!!!!]
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=B1exk6jpal0">
até onde o orgulho espreita, o primeiro de muitos:
assim, sim.
quase dá vontade de gritar AÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚ AÚ AÚ AÚ AÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚ.
[dizem os neo-zelandeses que vão usar de sensibilidade no jogo de Portugal (tanta coisa, tanta merda, tanta dança guerreira, e ao fim ao cabo saíram-me cá umas meninas...), mas quem é que lhes pediu favores?! é favor darem o vosso melhor... quebrar, até pode ser que quebre, mas torcer, nunca! força, rapazes!]
… ao post anterior.
adenda 1: machado, o caraças. na verdade, a caixa craniana de Trotsky, o russo, foi carinhosamente afagada com uma picareta. ou seja, tecnicamente, o homem não morreu à machadada: morreu à picaretada. enfim: os cromossomas Xs têm aquela dificuldade típica em distinguir intrumentos com um cabo de madeira e uma ponta afiada… para mim, existe o machado quadrado e o machado bicudo. não percebo porque é que o Y tem que chegar e baralhar isto tudo. falta de espírito prático, senhores. falta dele.
adenda 2: em resposta às mui humilhantes acusações de que fui vítima nos comentários ao meu último post, recorro ao direito do contraditório: não senhor, eu não sou responsável pela incontinência do Trotsky, o gato. Trotsky, o gato, já era maluquinho da bexiga quando aterrou cá na casa. terei, porventura, contribuído para muitas das esquinas agudas do cérebro daquele gato maluco, aos quais não será alheio o facto de o ter tratado por “MARIA ALBERTIIIIIIIIINA” durante os primeiros dois meses de vida
[conversa na clinica veterinária:
a bióloga (ab)- (tal e coisa, coisa e tal) então esta é Maria Albertina.
o-homem-mau-de-bata-branca (ohmdbb) – (longo silêncio) (longo silêncio) (e ainda outro longo silêncio) hmmm... tu tens consciência que a tua maria é um macho, não tens?
ab – não é nada! é uma Maria!
ohmdbb – (longo silêncio) (espreitadela de socapa para o meio das pernas do felino) olha que é macho...
ab – não pode! é fêmea! eu chamo-lhe Maria Albertina, como é que pode ser macho?!
ohmdbb – estou-te a dizer que é macho! ora espreita aqui!
ab – (longo silêncio) (longo silêncio) (e ainda outro longo silêncio) AHHHH... pronto, já percebi, pára lá de apertar isso ao bicho!
ohmdbb – ok, ok... mas como é que tu não percebeste? eu pensava que eras bióloga...
ab – homem, eu trabalho com bactérias! aquilo não há macho nem fêmea, é tudo ao monte e fé em Darwin, é uma promiscuidade muito saudável, não há cá essas mariquices de meninas para um lado e meninos para outro, e além disso...
ohmdbb – (a interromper) pronto, deixa lá isso.]
e de ter pago 50 euros e uma grande dor de consciência a um homem-mau-de-bata-branca para lhe arrancar à colherada as fontes de testosterona. mas a incontinência não, nisso estou inocente. desde novo que Trostky, o gato, também conhecido por o-objecto cá em casa e por totas-o-gato-mijão no meu laboratório, bebe o seu próprio peso em água. e claro, o que não fica acumulado naquela pança redonda e tremidinha, eventualmente vai parar a um canto qualquer. tudo o que não se pareça com um caixote cheio de areia serve para aquele bicho satisfazer as suas necessidades básicas. pelo menos, não é esquisito.
e de resto, mesmo que seja responsável por uma ou outra corrente de ar que atravesse a caixa craniana do animal, acho que paguei a minha dívida à sociedade felina por ter feito dele um verdadeiro modelo fotográfico felpudo. ah pois fiz.]
[e para os cépticos, o único photoshop que esta imagem viu foi um crop, a assinatura e a moldura. o que vale é que o meu pai lava o carro muitas vezes e o reflexo fica assim, limpinho. quando Trotsky, o gato, está a dormir em cima do katemobile, o reflexo nunca fica tão lindinho. go figure.]
PS: isto de andar a ver casas tem que se lhe diga. na 5ª fui ver um apartamento muito lindo, com pinheiros a toda a volta e o mar bem lá ao fundo. já em casa, muito tarde e muito cansada, a lavar a cara na casa de banho, dei por mim a ler o frasquinho do gel: “gel de limpeza suave, pH neutro, para cuidado diário de peles mistas com tendência acnéica”. existem barreiras psicológicas na vida, passadas as quais a gente acredita que tudo será imensamente diferente. quando era miúda, acreditava piamente nessas barreiras. o entrar na escola. o sair da escola. o fazer 18 anos. o entrar na faculdade. o sair da faculdade. o começar a trabalhar. tudo parecia fazer parte de um mundo imensamente diferente daquele que era o meu na altura. agora, olhando cuidadosamente para o espelho, constato que nunca saí do meu planeta. que, ao fim e ao cabo, sou a mesma. com uns olhos um bocadito mais pequenos, talvez. hoje, estou a atravessar uma nova barreira: enterrar-me até às orelhas no crédito habitação e ter uma toca só minha. verdade seja dita que, quando era miúda, não imaginava que no dia em que assinasse a escritura de uma casa ainda usasse produtos de beleza com palavras como “acnéica” escritas no rótulo.
olho em frente. as próximas barreiras psicológicas são nítidas. o acabar o doutoramento. o fazer 30 anos. a diferença é que agora já não acredito que, após as saltar, vá ser muito diferente. algures dentro de mim vai sempre existir uma adolescente sonhadora e assustada, com uns olhos grandes, castanhos e constantemente arregalados, e uma pele mista com tendência acnéica. com tendência especialmente acnéica quando o Porto perde em casa.
[é nestas alturas que eu realmente detesto não saber assobiar. é que uma saída de mãos nos bolsos, olhar perdido no nordeste e a assobiar o dartacão tinha sido simplesmente divinal. di-vi-nal.]