não é por vocês. (quero lá saber de vocês, tenho o PIB nacional inteirinho dependente de mim, tenho mais do que fazer do que me preocupar com vocês. arre.) é por mim. desde o último post que tenho recebido diversas manifestações, entre o inesperadas e o brilhantes (e o ai-que-agora-babei-me-mesmo-toda-carago!). mas só houve uma pessoa (que, curiosamente, nem sequer me conhece em carne, ossos, epiderme e vírus associados) que enfiou o dedo na ferida, sem piedade, e andou por lá a esgravatar animadamente. sim, Luís, foste tu: “Dsc a prepotência ms acho q n vais conseguir passar mt tempo sem postar (ou espero eu)…neste umbigo ou noutro qql…e ainda bem
”.
[a propósito, Luís... aquele álbum que me emprestaste é simplesmente divinal. e o outro também me enche as medidas bastante bem. as medidas todas...]
efectivamente… a vida é cómica. e o avacalhanço é viciante. ora bolas: estava com saudades disto. voltei, pois. tinha deixado alguma loiça por partir. e não é do meu (mau) feitio deixar tarefas a meio.
e já que volto a falar em regressos (ou regresso a falar em voltar), faz todo o sentido que vos descreva, em detalhe, como é que uma gaja raptada, arrebatada & domesticada aos hábitos nórdicos percebe que está de regresso à pátria.
[mil perdões a quem já ouviu na minha voz a mesma descrição (e, provavelmente, mais do que uma vez)... mas há coisas que merecem ficar para a posteridade. ou não. adiante.]
ora a dita cuja constatação de whoops-acabei-de-cair-no-cantinho-dos-tugas deu-se em dois passos distintos, a saber:
1. o passarinho gigante fazia escala na capital, pelo que foi aí o primeiro contacto com solo tuga. sai uma gaja (raptada, arrebatada & domesticada aos hábitos nórdicos) do avião, entra discretamente no aeroporto, e sente imediatamente uma comichão histérica nos orgãos sensoriais de captação de luz. ela olha para a esquerda, e pisca, pisca. ela olha para a direita, e pisca, pisca. como se não faltasse mais nada, uma lágrima teimosa resolve espreitar olhinho fora e toca de cavar ali um leito bochechinha-de-villeneuve-abaixo até morrer na manga no casaco. mentalmente, a gaja revê a situação: não, ela não está a tentar engatar ninguém, e não, marrocos está longe de a emocionar (ao menos se ela não tivesse visto a árvore pindérico-gigante da janela do passarinho gigante…). até que, num lampejo de génio, ela descobre a razão fisiológica para a sua lamechice deslocada: fumo de tabaco, pois claro. em todo o lado. gente a fumar num sítio fechado, mas o que é isto? tirem-me daqui, não consigo respirar.
ena ena: estou na pátria!!
[nota de mau-feitio: não, agora a sério – porque é que eles se dão ao trabalho de dizer é proibido fumar em todo o aeroporto excepto nas áreas assinaladas para o efeito? isso até é muito lindinho, mas ouçam lá: se as ditas cujas áreas assinaladas estão espetadas de 10 em 10 metros, e se os senhores fumadores não conseguem fumar o seu cigarrito sugaditos e têm que passear num raio de 5 metros à volta da “zona assinalada”, não seria mais prático (e honesto) avisar é proibido NÃO fumar em todo o aeroporto, excepto se enfiar a sua cabeça pela retrete abaixo?]
2. senta-se a gaja confortavelmente no seu cantinho, ao pé da janela, e prepara-se para voar pela terceira vez naquele dia. nisto aproximam-se dois abrunhos que, ó-sorte-malvada-que-mal-te-fiz-eu, se destinam aos dois lugares ao lado dela. e, assim em jeito de entrada triunfal quebra-o-gelo, travam logo o seguinte diálogo:
abrunho nº1: oh, carago! e s’esta merda me cai ao tejo, porra?! eu agarro-me a ti!
abrunho nº2: até te fodias. é que eu nado que me fodo. fodasse.
(fim de citação).
ena, ena: NÃO SÓ estou na pátria, COMO TAMBÉM estou a caminho da naçon!
[é nesta altura que a gaja escorrega pela cadeira abaixo, num esforço desumano para conter uma gargalhada e o desejo súbito de desatar a cantar: voltei, voltei/ voltei de lá/ ainda agora estava na suécia e agora já ‘tou cááááááááááá!]
O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.
Eugénio de Andrade
[não, Eugénio. eu falo muito dele. e sei que o amo – sempre o soube. é esta voz doce de quem acorda cedo para cantar nas silvas. simplesmente mata(s)-me.]
PS(ssssst): e o vosso Natal? o meu foi lindo… muito.
[aproveitei que vinha da terra do pai natal e raptei-o cá para casa. roubei-lhe um beijo e um abraço e puxei-lhe pela barba para ver se era verdadeira. gostei muito do meu pai natal raptado.]
[melhor que este, só mesmo aquele que faz aquele anúncio para aquela empresa de telemóveis. esse sim: ESSE valia a pena esperar duas horas numa fila dentro de um shopping barulhento, só para me poder sentar ao colinho dele. “portaste-te bem este ano, minha menina?”, “não, senhor pai natal. fui uma menina marota. muitoooooo marota...”, “ai foste? então não te posso dar o juizínho que me tinhas pedido como prenda de natal”, “deixa lá isso: acabei de ter uma ideia melhor”.
[pronto, ok: é nesta altura que eu me calo.]
[mas sabe bem dizer: até jáááááááá! num qualquer umbigo perto de si.]














