Monthly Archives: May 2006

Todos os biólogos o sabem, todos os tarados o afirmam: o objectivo final de qualquer ser vivo é garantir a sua existência na posteridade. Óvulos e esperma & misturada de genes, a conversa do costume. Pois eu acho que as minhas Crónicas do Círculo Polar tinham algo de vivo. Ou por outra, tinham vida própria. (Que, diga-se, eu não escrevi nem metade das barbaridades que por lá apareciam de quando em vez: elas surgiam, vindas do nada, qual geração espontânea.) E, como bicho instintivo que adivinha o capítulo final, deixaram as suas sementes para as minhas posteriores ausências. E eu cansei-me de lutar contra as suas tentativas frustradas de germinação! Pois que assim seja: morrem as crónicas, nascem as bioincontinências. Assim como assim, sou uma fala barato incorrigível, preciso de um espaço para contar com todos os detalhes indecentes&avacalhados as minhas aventuras por estas terras nórdicas (os detalhes sórdidos tipo saunas-mistas-e-demais-taradices deixo para os e-mails privados – há que manter o mínimo de [baixo] nível!). Pois seja, amigos, companheiros e demais palhaços: estou de volta. Os leitores assíduos das Crónicas já sabem o que por aqui encontrarão. Para os que não chegaram a receber as Crónicas e para os que as enviavam direitinhos para o caixote do lixo, eu faço uma antevisão: futebol, festival da eurovisão, filosofia barata, abóboras aos molhos, devaneios paranormais e piadas de cariz sexual e humor muito duvidoso! Puritanos, abstenham-se. Mouros, abespinhem-se. Pai e Mãe, sentem-se. Estou a trabalhar mais do que o desaconselhado, estou exausta e o meu neurónio meio zarolho está constantemente em over-heating, restavam-me duas alternativas: ou partia a cabeça ou partia a louça. Para bem da minha sanidade mental (e para desgraça da vossa) optei pela segunda. Vamos a isto. E vai ser a doer. Impiedosamente e indecentemente. ‘Bora!

Ficar (Canção de embalar)

Ah, se eu pudesse não partir
eu ficava aqui contigo
se eu pudesse não querer descobrir

Ah, se eu pudesse não escolher
eu juro, era este o meu abrigo
se eu pudesse não saber que há mais

Mas como pode a lua não querer o céu?
Como pode o mar não querer o chão?
Como pode a vontade acalmar o desejo?
Como posso eu ficar?…

Como posso eu ficar?…

Letra&Música de Margarida Pinto, álbum Apontamento

[para os mais distraídos: a Margarida é a ex-vocalista dos Coldfinger, Apontamento é o seu primeiro álbum a solo e cantado inteiramente em português – com a particularidade de cantar alguns poemas de Fernando Pessoa e do seu heterónimo Alberto Caeiro. Oscilando entre uma sonoridade jazz e um pop terno, é um albúm que vale a pena… comprar!!!! Ir à mula é batota (ouviram, Paolo e Marta?), além de ser doentio (e pronto, lá começaram as piadas de cariz duvidoso…).]

Nota final: duração do dia de hoje – 19h32s
amanhã o dia será 5min27s mais longo.